Tatsumi Orimoto e sua máscara – Mantra Santos

TATSUMI ORIMOTO E SUA MÁSCARA

Mantra Santos*

“Máscaras neutras, propriamente, não existem”, é o que diz Ana Maria Amaral. Em seu livro “O ator e seus duplos”, ela explica que sempre existe algo que as torna únicas e diferentes, que é o caso da máscara usada por Tatsumi Orimoto em sua performance Breadman, a máscara constituída por pães acabam se transformando em uma linguagem, uma figura, deixa de lado a proposta da neutralidade, dessa forma criando todo um conceito e significado. As máscaras são expressivas.  No início do século XX ressurgiram as máscaras, o rosto passou a ter uma relação diferente com o corpo, perdeu sua hegemonia. Edward Gordon Craig lançou suas idéias em relação ao rosto, dizia que não era um meio de expressão teatral, o que nos faz relacionar que a máscara apesar de ser neutra ela possui expressão, para Craig o ideal para o teatro era o uso de máscaras. O ator ao usar uma máscara precisa de concentração e neutralidade. No teatro Nô, as máscaras possuem aberturas pequenas para os olhos, propiciando que o ator preste mais atenção em seu interior, assim atinge um nível maior de concentração. Podemos relacionar isso com a performance Breadman, em que os pães estão sendo colocados nos rostos dos performers, dificultando a visão.
 Tatsumi Orimoto utiliza de sua performance para inserir o espectador em sua obra, criando uma estrutura co-relacional ou comunicacional, ou seja,  aproximando o espectador, assim ampliando a noção de performance.

Orimoto utiliza do grotesco como forma de linguagem, componentes como o repentino e a surpresa.  “Faz parte de sua “estrutura” que as categorias de nossa orientação no mundo falhem, que os processos persistentes de dissolução se manifestem: a perda de identidade, as distorções da realidade, a suspensão da categoria de coisa, o aniquilamento da ordem histórica, tudo aquilo que de alguma forma produz uma desorientação. Para que haja a manifestação do grotesco, é necessário que aquilo que nos era familiar e conhecido se revele, de repente, estranho e sinistro. A aparência de ambivalência e contradição resultam em última análise da justaposição ou sobreposição de seqüências temporais gerando imagens que parecem disformes, monstruosas ou mesmo horrendas se vistas a partir da estética clássica que as considera como já estabelecidas e completas, já que são imagens ou formas que se opõem às formas acabadas e completas dessa tradição.”( “O GROTESCO: TRANSFORMAÇÃO E ESTRANHAMENTO”, Aristides Alonso)
Os autores SODRÉ e PAIVA afirmam: o belo é, desde o antigo grego, ora a expressão de uma simetria ou de uma conciliação entre contrários, ora uma tensão especialmente mantida entre coisas opostas. (…) O feio (tradicionalmente identificado ao “mau”, assim como o belo era tido como “bom”), por sua vez, não é um simples contrário do belo, porque também se constitui em um objeto ao qual se atribui uma qualidade estética positiva. Ou seja, se retirarmos do belo um traço positivo que o constitui como tal (por exemplo, a proporção ou a harmonia), não produzimos automaticamente o feio. Esta última qualidade tem seu modo específico de ser, requer uma produção particular, que não é o puro negativo do belo.

 *Atriz e aluna do curso de Artes Cênicas da UFSC.